25/09/2020 às 09h55min - Atualizada em 25/09/2020 às 09h55min

Marilene Godinho fala sobre a importância da leitura durante pandemia

Matheus Aguiar
A literatura não tem a pretensão de curar as dores do mundo; mas certamente ilumina caminhos. Não nos alimenta nem traz as respostas que a ciência procura; porém, é por meio das histórias, que nos deparamos com dramas e tragédias que também são os nossos e, assim, nesse exercício de empatia, nos tornamos mais humanos. Neste momento em que nos pegamos a pensar na nossa sobrevivência, não mais como indivíduos, mas como espécie, vale a pena buscar nessa arte, narrativas emblemáticas que, ao mesmo tempo que nos proporcionam prazer na leitura, nos fornecem elementos para refletir e seguir em frente. Marilene Godinho é referência na literatura infantil, não só em Caratinga, mas em todo o Brasil. A também professora e estudiosa da língua, defende que o processo de leitura pode ser um afago necessário durante esse período.
 
Pais e professores se queixando da dificuldade de leitura das crianças parece ser uma realidade quase universal atualmente. A partir do desenvolvimento tecnológico, e principalmente, pelo advento dos smartphones, e leitura mediada por uma tela digital tem sido cada vez mais preconizada nas escolas. Porém, esses aparelhos exigem uma atenção difusa muito grande, já que são notificações o tempo todo além de aplicativos, jogos e redes sociais constantemente tirando o foco. Todos esses fatores exigem que o cérebro haja de forma multitarefa, o que não combina nada com a concentração necessária para absorver as informações de um texto, por exemplo.

A escritora defende que os livros físicos, mesmo com os adventos tecnológicos, não irão morrer.

Eles podem até não morrer, mas o acesso pode ser dificultado. Em julho deste ano, o Governo Federal enviou ao Congresso Federal um projeto de reforma tributária que propõe alterações nas cobranças de impostos. Dentre as mudanças sugeridas, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, quer que os livros sejam taxados em 12%. Ainda em agosto, a hashtag #defendaolivro movimentou as redes sociais em reação à essa proposta. Vale lembrar que a isenção de impostos sobre obras literárias, foi proposta há 74 anos pelo então deputado federal Jorge Amado, um dos escritores brasileiros mais traduzidos do mundo. Num país em que 11 milhões ainda não sabem ler ou escrever, e que a educação pública está longe de ser bem gerida, esse pode ser mais um passo para escancarar as desigualdades sociais.

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