30/09/2020 às 08h52min - Atualizada em 30/09/2020 às 08h52min

Associação de surdos de Caratinga luta pela inclusão dos deficientes auditivos

Matheus Aguiar
O dia 26 de setembro foi instituído como o dia do surdo por ser a data de inauguração do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdo) no Rio de Janeiro. Criado em 1857, durante o império português, o Instituto foi a primeira escola para surdos do Brasil. Os surdos constituem mais de 5% da população, aproximadamente 10,7 milhões de brasileiros. E aqui no município, eles também são parte significativa da sociedade. Exemplo disso, é a existência da Associação de Surdos de Caratinga que promove cursos de Libras, faz campanhas de conscientização e luta pela inclusão dos deficientes auditivos na sociedade. A instituição é presidida pelo Bruno Henrique, que trabalha como mecânico e divide o tempo para também defender os direitos de seus pares.
 
Atualmente, eles não têm uma sede física para a associação e estão procurando ajuda para conseguir esse espaço. O presidente da associação defende que ainda é necessário muito apoio da sociedade e principalmente dos órgãos públicos.

No Brasil, a Lei nº 10.436/2002 foi um marco importante para a comunidade surda brasileira, ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão e determinar o apoio na sua difusão e uso pelo poder público. Porém, muitas pessoas com deficiência auditiva ainda têm dificuldade para ter acesso à educação e acabam sendo excluídas pela sociedade.

Um exemplo disso é o fato de precisar de alguém para interpretar essa entrevista. Isso aponta uma falha importante dos próprios meios de comunicação que não conseguem entregar as informações de forma democrática para todas as pessoas. 

Surdez é o nome dado à impossibilidade ou dificuldade de ouvir. Por muitas vezes deixados de lado, as pessoas que têm surdez ligeira e média também são consideradas deficientes e tem o direito a garantia de inclusão e acesso. Se engana quem acha que eles não conseguem trabalhar. Na verdade, se as outras pessoas não sabem a Língua Brasileira de Sinal, não é culpa dos surdos. O problema está na falta de inclusão e não na pessoa que se comunica em uma linguagem diferente.

Na comunicação por Libras é utilizada a 'datilologia' - um sistema de representação simbólica das letras do alfabeto, soletradas com as mãos. Além das expressões facial e corporal que também são muito importantes. E talvez essa seja uma das características mais fascinantes, já que quem se comunica por Libras se dedica a perceber o outro, não dá pra falar de costas por exemplo, já que todo o processo de interação acontece pelo olhar. A língua de sinais não é universal, sendo diferente de um país para outro e muitas vezes de uma cidade para outra, pois sofre variações de acordo com as peculiaridades regionais. Assim como o português, ela é uma língua, e não uma tradução. Conhecer a Língua Brasileira de Sinais é a melhor maneira de respeitar essas pessoas, que têm uma vida ativa assim como dos ouvintes. Estudam, trabalham, convivem e também amam.

De acordo com o Governo de Minas, a rede pública estadual de ensino conta, atualmente, com cerca de 3,1 mil alunos surdos ou com deficiência auditiva. Como em menos de dois meses acontecerão as eleições municipais, o presidente da Associação de Surdos de Caratinga pede para que os próximos candidatos tenham um olhar mais responsável para a comunidade surda na cidade.


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