14/10/2020 às 14h18min - Atualizada em 14/10/2020 às 14h18min

Safra deste ano deve superar em mais de 4% a produção anterior

Matheus Aguiar
A nova safra do Brasil deve superar em 4,2% o recorde obtido na temporada recém-finalizada. De acordo com o primeiro levantamento da safra de grãos 2020/21, divulgado pela companhia nacional de abastecimento (conab) no fim da semana passada, a produção deste ano deve superar a anterior em cerca de 11 milhões de toneladas. Em contra partida, o preço dos alimentos puxados pela inflação que acelerou ainda mais em setembro.
 
O estudo aponta crescimento na área cultivada no Brasil, na ordem de 1,3%. A expectativa é que nesta safra o plantio ocupe cerca de 66,8 milhões de hectares, o que corresponde a 879,5 mil hectares a mais.

A produção de soja é estimada em 133,7 milhões de toneladas e mantém o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa. A colheita total de milho deve atingir 105,2 milhões de tonelada, a maior da série histórica com um aumento de 2,6% sobre a anterior. Em transmissão realizada no Youtube da Conab no fim da semana passada, o presidente da Conab, Guilherme Bastos, comentou sobre o assunto.
 
A área cultivada com arroz deve aumentar 1,6%, mas a equipe da Conab estima que a produtividade pode não ser tão boa quanto a da última safra. Caso se confirme a redução de 4,2% do volume colhido por hectare, a produção nacional de arroz será de 10,885 milhões de toneladas, ajustada ao consumo previsto. As exportações do grão, por sua vez, podem diminuir em cerca de 400 mil toneladas. O que também impulsiona a alta no preço do produto. O presidente da Conab vê um cenário esperançoso para o futuro do produto.
 
A projeção do cultivo em Minas Gerais, iniciado no segundo semestre deste ano, é de um volume de produção de 15,2 milhões de toneladas. O valor representa uma redução de 1,1% na produção em relação à safra anterior, quando foram colhidas 15,4 milhões de toneladas.

Além disso, também está prevista uma queda de 1,4% na produtividade e um crescimento de 0,3% na área cultivada. 

O secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, César Halum, acredita que o incentivo de crédito por parte do governo e a chegada das chuvas podem ajudar a superar essas quedas.

Puxada novamente pela alta nos preços dos alimentos e dos combustíveis, a inflação subiu 0,64% em setembro, ficando acima da taxa registrada em agosto (0,24%). Esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003, quando o indicador foi de 0,78%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na última sexta-feira (9), pelo IBGE.
 
A maior variação e o maior impacto na pesquisa vieram do grupo alimentação e bebidas, que acelerou em relação ao resultado de agosto (0,78%), puxado principalmente por alimentos para consumo no domicílio (2,89%), com o aumento nos preços do óleo de soja (27,54%) e do arroz (17,98%). Esses produtos acumulam no ano altas de 51,30% e 40,69%. Juntos, arroz e óleo de soja tiveram impacto maior que as carnes.
 
Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,87%, maior resultado para um mês de setembro desde 1995, quando o índice foi de 1,17%. Em agosto, o indicador ficou em 0,36%. No ano, o INPC acumula alta de 2,04% e, nos últimos 12 meses, de 3,89%. Em setembro de 2019, a taxa foi de -0,05%.

Os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63% em setembro, enquanto que no mês anterior haviam registrado 0,80%. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (9), pelo IBGE.
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