02/12/2020 às 14h40min - Atualizada em 02/12/2020 às 14h40min

FAMILIARES E AMIGOS DE MULHER ASSASSINADA PELO MARIDO REALIZAM MANIFESTAÇÃO CONTRA FEMINICÍDIO

Matheus Aguiar
O crime aconteceu por volta das 23 horas do último sábado. De acordo com a Polícia Militar, o tatuador Marcos Lucas Campos, de 29 anos, assassinou Carla com um disparo de arma de fogo na cabeça. O fato gerou revolta e muita emoção nos familiares e vizinhos que se reuniram como forma de manifestar todos os sentimentos provocados pelo feminicídio.

As causas do crime ainda estão sendo apuradas pelas autoridades, porém a mãe da jovem de 23 anos acredita que seja por motivação passional. Marcos fugiu após o assassinato e ainda se encontra foragido. Na casa do autor, a polícia encontrou uma oficina de fabricação ilegal de armas. Em 11 anos de relacionamento, a mãe alega que tanto Carla quanto os familiares já haviam recebido ameaças de Marcos.

Em 2015 foi incluída no Código Penal brasileiro a Lei 13.104, que tipifica o feminicídio, considerando a violência doméstica e familiar e a discriminação feminina como qualificação do homicídio. A pena nesses casos é de reclusão de 12 a 30 anos. Porém desde a criação do dispositivo, os casos continuaram aumentando, o que coloca o Brasil como o 5º país que mais mata mulheres no mundo. Durante a pandemia, quando muitas pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, os casos de assassinato subiram. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que houve um aumento de 1,9% de mortes no primeiro semestre deste ano, comparando com 2019, sendo que Minas Gerais está em 4º lugar com mais casos. A situação é ainda mais agravada pela desigualdade racial. De acordo com o Atlas da Violência de 2017, das quase 5.000 vítimas de feminicídio no país, mais de 66% eram mulheres negras.

Dezenas de pessoas participaram da manifestação. O abraço, atitude tão complexa atualmente, foi inevitável mediante a grande emoção compartilhada. Familiares e amigos de Carla se uniram em um coro para homenagear a jovem de 23 anos. A palavra ‘justiça’ foi estampada em uma faixa, repleta de mãos vermelhas representando o sangue de mais uma mulher morta pelo marido.



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