07/12/2020 às 10h02min - Atualizada em 07/12/2020 às 10h02min

DESLIZAMENTO DE TERRA EM OBRA ASSUSTA MORADORES DO BAIRRO RODOVIÁRIOS EM CARATINGA E COLOCA PRÉDIOS EM RISCO

Fabio Teodoro
A imagem impressiona. Muita terra veio abaixo. O deslizamento de terra de uma obra localizada à Avenida João Caetano do Nascimento, às margens do perímetro urbano da BR-116, em Caratinga, ocorreu na madrugada desta segunda-feira (07/12), por volta de 01h30. O local é o mesmo onde em abril deste ano um desmoronamento atingiu o Posto Gentil. À época, o deslizamento aconteceu enquanto máquinas trabalhavam na retirada de terra.

Faz alguns meses já que uma obra particular é realizada no local. Com o deslizamento desta madrugada, parte de uma casa desabou e seis veículos - cinco carros e uma moto - que estavam numa garagem foram junto. A casa em que a garagem desabou fica na Rua Maria Ignez de Araújo Abreu. 

Ninguém ficou ferido. O forte estrondo provocado pelo desmoronamento assustou os moradores de prédios que ficam próximos ao barranco. Ivan Delon, síndico e morador do Edifício Turquesa, na Rua André de Oliveira Valadão, deu detalhes do ocorrido.

"Teve um estrondo bem forte não como os das explosões que vinham sendo recorrentes com tremores. Esse foi diferente. Só foi um estrondo e subiu uma poeira. Logo em seguida, teve um segundo estrondo com um barulho mais forte. Eu creio que foi devido à queda da casa com a parte de alvenaria mais telhas. Aí subiu logo uma poeira e as pessoas já começaram a se alardear por volta de 01h40 da manhã", contou.

O Corpo de Bombeiros Militar tomou conhecimento do fato após ser acionado via 193 dando conta de que uma contenção feita próxima à BR-116, perto do posto de gasolina, havia cedido.
"Graças a Deus não teve nenhuma vítima, mas os moradores relataram que há bastante tempo está tendo trabalho de obra de retirada de pedra, com dinamitação e isso também pode ser devido a uma falha do solo, uma infiltração de onde a gente não sabe que está vindo. Já conversamos com muitos moradores e orientamos sobre a saída das residências. Além de ficar atento a trincas", disse sargento Oliveira, bombeiro militar.

A Defesa Civil Municipal também compareceu ao local para realizar uma avaliação. Por segurança, todos os moradores do prédio em que o Ivan é síndico deixaram suas residências. Segundo ele, a maioria foi para um hotel porque não tem parentes na cidade.

Mais de cem moradores do Edifício Iris, que fica na mesma rua, também evacuaram o prédio. Ivan afirmou que por várias vezes a situação foi alertada. "Sim, várias vezes. A gente vem ligando várias vezes, eu e minha esposa, outros moradores do prédio em frente e do lado. Quando liga para a Defesa Civil, ela diz que é com o Departamento de Obras. Aí, quando liga para o Departamento de Obras, diz que é o de Meio Ambiente e ele diz que é o de Obras. É um jogo de empurra e ninguém assumia a responsabilidade. Às vezes, tinham estrondos, explosões ali embaixo de tremer os móveis dentro de casa e cair utensílios. Malas que estavam em cima de guarda-roupa e o vizinho do prédio da frente, a televisão dele se soltou da parede e caiu ao chão. Têm rachaduras aqui no nosso prédio. É assustador. Parece que você está no meio de um terremoto e de repente tem uma explosão, barulho de pedras quebrando. Teve um episódio em que um entregador de comida estava na porta de um prédio vizinho, houve uma explosão e caiu uma pedra próxima daqui. Não adiantava. Alguns vizinhos desciam e iam falar com o engenheiro e ele tratava de forma muito ríspida. Estavam se sentindo o dono da verdade e acima de tudo", relatou Ivan.

Ivan espera que providências sejam tomadas. "Foi por um milagre que não aconteceu uma tragédia. Na sexta eu tive a oportunidade de conversar com a dona da casa, ela estava passando na rua e falou que já havia acionado a Justiça porque os órgãos da prefeitura não tinham feito nada. Ela perdeu um bem, um imóvel. Sem falar na desvalorização. A gente adquire um apartamento aqui e hoje se formos vender, não vai conseguir. Eu conversava com um vizinho e ele comprou um imóvel por um valor alto e agora está totalmente desvalorizado. Acho que foi uma falta de respeito muito grande. Essa não é uma obra que começou há uma semana. Tem vários meses. Desde que desmoronou o barranco em cima do posto de gasolina, eles não vieram fazer uma obra de contenção da forma que deveria ser feita. Estive com um amigo geólogo olhando, ele já trabalhou em obras de contenção e me disse que o que foi feito ali é só um paliativo. Não ia segurar. Tanto que na primeira chuva que deu já caiu. Eu estive lá embaixo, a infiltração vai muito longe e a gente está em risco. Colocaram uma manta de ferro e cimento por cima. Fizeram só uma maquiagem e ainda tiraram a estrutura que é a pedra. E com as explosões veio estressando a estrutura de terra e a qualquer momento ia cair. Estava previsto", finalizou.

Nesta manhã, as máquinas que estavam trabalhando no local foram retiradas. O jornalismo da TV Sistec procurou pela Assessoria de Comunicação da prefeitura em busca de informações sobre a avaliação feita pela Defesa Civil e aguarda um retorno.



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