09/12/2020 às 15h57min - Atualizada em 09/12/2020 às 15h57min

ECONOMIA COMEÇA A DAR SINAIS DE RECUPERAÇÃO DA CRISE PROVOCADA PELA PANDEMIA

Matheus Aguiar
A recuperação do emprego em diversos setores foi evidenciada a partir de julho, quando houve flexibilização, no Brasil, de algumas medidas de prevenção à Covid-19. Mesmo o setor de alimentação e alojamento, que havia sido o mais afetado pelo desemprego na pandemia, mostrou sinais de retomada entre maio e setembro deste ano. Nesse mesmo período destaca-se também as trajetórias de recuperação no emprego formal registradas para os setores da indústria e construção, chegando a números ainda melhores que em 2019. Outros dois setores que geraram mais empregos no comparativo com o ano passado foram os de transporte e armazenagem e o de prestação de serviços. O estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostrou que houve também um aumento na abertura de empresas. O setor de comércio e reparo de veículos foi o mais aquecido, tendo mais de 100 mil novos postos de trabalho abertos em setembro.

Outro medidor da recuperação da economia é a recuperação salarial. Segundo o IPEA, em outubro, os rendimentos médios da população corresponderam a 92,8% da renda média habitual. Os servidores foram os menos impactado pela pandemia. Profissionais da administração pública receberam 98,4% dos rendimentos normais e militares 98,6%. Já os trabalhadores por conta própria foram os mais atingidos pela queda de renda devido à pandemia: receberam 78,8% do habitual. Um estudo conduzido pelo instituto comprovou que países emergentes responderam melhor a essa crise. Enquanto os Estados Unidos no primeiro semestre uma variação negativa de -16,1% na taxa de exportações, o Brasil acumulou -7,5%. De acordo com a pesquisa, o mercado chinês foi um dos principais responsáveis por segurar a economia desses países.

Como essa retomada se dá a passos lentos, tendo em vista as incertezas do mercado, alguns segmentos ainda flutuam negativamente. Em novembro a inflação avançou para 0,98%, a maior alta do mês desde 2015, puxada principalmente pelos preços do arroz e do óleo de soja. Para 2021, o PIB agropecuário deve ficar em 1,2%, um crescimento menor que os 2% que haviam sido projetados em outubro.

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