09/12/2020 às 16h08min - Atualizada em 09/12/2020 às 16h08min

GEÓLOGO FAZ AVALIAÇÃO SOBRE A ÁREA EM QUE OCORREU DESLIZAMENTO DE TERRA EM CARATINGA

Fabio Teodoro
Leonardo Souza informou que foi contactado no fim da segunda-feira pela Defesa Civil Municipal, para que fosse realizada uma vistoria para avaliar o risco que as moradias localizadas ao entorno de onde aconteceu o rompimento do barranco correm, a fim de orientar os moradores.
 
"Então, foi feita uma avaliação aqui, eu cheguei por volta das 8h, e ela ainda está em curso, para depois ser emitido um laudo que será fornecido para a Defesa Civil e estará disponível para a população", afirmou.
 
O laudo vai ser entregue para a Defesa Civil na próxima semana. A previsão é de que ele fique pronto na segunda-feira que vem. Segundo o geólogo, a área onde ocorreu o fato já havia sido identificada pelo Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de 2018, que é um instrumento de planejamento, elaborado pela prefeitura, por meio da Defesa Civil.
 
"Em que o risco já havia sido constatado, mas que estava sendo executada uma obra/intervenção estrutural para estabilizar a encosta, porém, algum problema aconteceu que esta intervenção não foi suficiente, e, agora, aconteceu uma superfície de ruptura - uma ruptura formada ao longo da encosta inteira - com deslizamento, que colocou parte das residências, na parte superior da encosta em risco", explicou.
 
Sobre o deslizamento, o geólogo disse que é difícil estabelecer uma causa específica porque pode ser um conjunto de fatores.
 
"Porque isso vai desde a característica que o terreno tem. Você tem um desnível muito elevado, uma angulação muito elevada e inclinada em relação às bermas de equilíbrio que estavam sendo geradas, e talvez, a intervenção com concreto projetado não tenha sido suficiente para estabilizar a encosta inteira, então, tem um conjunto de fatores que pode ter levado à ruptura, mas isso depende de uma avaliação um pouco mais criteriosa para que se tenha a causa exata", disse.
 
O geólogo disse que orientou os moradores dos dois prédios localizados à Rua André de Oliveira Valadão, que ficam a montante da área rompida e, a princípio, não será necessária uma demolição.
 
"Por enquanto, eles ainda possuem um afastamento em relação à área onde houve a superfície de ruptura e não é necessário que você tenha o prédio definido como condenado, diferentemente da casa geminada. Só que também foi explicado aos moradores, para que eles tenham ciência, que o que aconteceu em relação ao deslizamento - a geometria que ele possui e as características do local - o que é muito provável, como a gente está entrando ainda no período de chuvas, que começa neste mês e vai até março, você vai com esse acúmulo da chuva, ter uma acomodação do material. Vai ter um comportamento ainda a ser acompanhado do material, então, pode haver uma progressão do processo. Que vai fazer com que essa área que rompeu se aproxime um pouco mais em relação aos edifícios. Mas, a princípio, por enquanto, eles não estão condenados. Claro que depois vai ter que haver a estabilização da encosta, mas por medida preventiva, a orientação é que eles realmente saiam preventivamente até que comece o período de chuvas e a gente tenha um entendimento melhor de como o terreno vai se comportar nesse período", ressaltou.
 
Já em um trecho da Rua Maria Ignez de Araújo Abreu, área de maior risco, que, inclusive, está isolada, vai haver um fechamento definitivo, para que não haja nenhuma pessoa acessando as edificações próximas ao barranco. Nesse local, que parte de uma casa foi destruída com o deslizamento, arrastando seis veículos que estavam numa garagem.
 
"Quando a gente fala de um deslizamento, ele tem uma forma definida, então, aqui chamamos de superfície de ruptura. E, quando a gente fala disso, aí eu mostrei para todos os moradores de lá e daqui também, onde essa superfície formou. Parte do material rompeu e parte ainda não rompeu. A gente consegue ver pelos indícios do lado de cá, tanto aqui no asfalto quanto nas edificações, que é a continuidade da superfície de ruptura. Então, esse trecho demarcado dentro da superfície é o trecho onde é bem provável que, com o período de chuvas, que ao acomodar ao longo da encosta o material, talvez você tenha um colapso nessas estruturas".
 
O geólogo também comentou que é preciso ser dada uma solução para o escoamento de água.
 
"Porque hoje o que desce de água ao longo da rua vai ser direcionado direto para o meio do escorregamento, e isso é um problema também, então, vai ser tomada uma decisão em relação a isso".
 
Se a retirada das pedras pode ter contribuído para o rompimento da encosta, o geólogo respondeu.
 
"Depende, porque quando a gente faz um projeto de estabilização, nós temos que abrir mão de uma série de estudos para que você faça aquilo de maneira que não traga problemas. Desde sondagens, análise do solo, para isso definir as angulações e a questão da remoção ou não. Como ali embaixo, que é comum no município, você tem a parte de baixo do nosso substrato, que é uma parte mais rochosa, tem mais pedras, digamos assim, e por ser um pacote de solo, então, para que você remova a parte de baixo, você tem que ter, do ponto de vista do projeto, a capacidade de entender como vai proceder com a parte de cima. O solo se comporta diferente da rocha, então, o comportamento de materiais diferentes, tendem a trazer problemas diferentes, mas isso tem que ser previsto na etapa de elaboração do projeto".



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