10/12/2020 às 17h43min - Atualizada em 10/12/2020 às 17h43min

SÍNDICO DE PRÉDIO DESOCUPADO POR SEGURANÇA FALA DE REUNIÃO COM O GOVERNO MUNICIPAL

Fabio Teodoro
Jander Antônio Linhares Fonseca é síndico do Residencial Iris situado à Rua André de Oliveira Valadão. O prédio está localizado bem acima da área em que ocorreu a ruptura da encosta. Segundo ele, o residencial tem um total de 45 apartamentos e mais de cem moradores tiveram suas vidas mudadas da noite pro dia. Jander afirmou que todos os moradores estão abalados psicologicamente.

“Tem gente que saiu chorando porque financiou o apartamento, investiu tudo o que tinha, e, simplesmente, teve que largar tudo e ir para algum lugar. Garagem e casa de parentes e pagar hotel, sendo que não tem condições. É uma situação lamentável”, disse ele.

Jander relatou que uma reunião foi realizada nesta quarta-feira (09/12) pela prefeitura. Estiveram presentes à reunião representantes dos imóveis em risco, da Defesa Civil e das Secretarias de Meio Ambiente e Serviços e Urbanos e de Obras Públicas e Defesa Social e de Desenvolvimento Social. Porém, segundo Jander, a orientação repassada pelo governo municipal aos moradores não foi bem recebida.

“O que os moradores têm de fazer é um requerimento e passá-lo para o proprietário da obra. A partir do momento em que o proprietário se negar a fazer alguma coisa, é que a prefeitura vai nos dar algum auxílio. Veja bem, todos os moradores aqui estão ‘destruídos psicologicamente e ninguém tem conhecimento jurídico para fazer determinada coisa. A prefeitura está ‘jogando’ a responsabilidade total para os moradores aqui. A gente tem que entrar em contato com ele [proprietário do terreno] para pedir uma assistência e se a gente tiver uma negativa dele, aí sim, que a prefeitura vai fazer alguma coisa. Isso tem que ser por escrito”, comentou.

O síndico classificou a situação como ‘revoltante’ e esperava que fosse acolhido pelos órgãos públicos.

“A situação aqui é muito complicada. Ninguém tem lugar para ir. A maioria aqui foi para a casa de parentes, para garagem, está pagando hotel. Então, é muito revoltante, quando você que o órgão público vai te acolher e, simplesmente, jogam um banho de água fria em você. A gente aqui não tem como fazer nada a respeito e eles querem que a gente faça o trabalho deles. A única coisa que a Defesa Civil passou de fato para a gente foi que disponibilizaram uma escola para tirar o pessoal daqui. Só, mais nada. Obviamente ninguém aqui concordou com isso. O subsíndico trabalha em home office, tem o equipamento dele e é impossível, não só ele, mas como vários, porque aqui moram mais de cem pessoas. Vários aqui trabalham em casa nessa pandemia e é impossível ficar em uma escola. O que revolta a gente é isso. A gente não faz nem ideia como entrar em contato com esse proprietário. O que a prefeitura deveria fazer é arrumar um lugar para a gente. Isso, a meu ver, seria a coisa certa a se fazer e o básico”, argumentou.

Jander disse que o prédio não apresenta nenhuma rachadura, mas com as chuvas que começaram a cair no município, os moradores temem pelo pior diante da possibilidade de um novo rompimento.

“Porque não sabe se [solo] está instável ainda, mas o prédio não tem nada. Por questão de segurança, a Defesa Civil evacuou todo mundo porque querendo ou não, está muito próximo. Apesar do prédio não ter nada, está marcando muita chuva, então, a gente não sabe de fato o que pode acontecer com esse terreno. A gente não quer isso, mas se chover muito e cair tudo, aí sim, o prédio pode ficar em sério risco. Como está a casa do rapaz, em risco iminente. O que a gente está fazendo é ter calma porque é uma situação muito complexa. Estamos juntando documentos, a gente fará uma reunião e, a princípio, esperar o laudo do geólogo para ver qual é o posicionamento que vamos tomar. A gente está juntando os documentos, falta só esperar de fato o laudo e procurar uma assessoria jurídica especializada, que seja competente para isso, e ver a melhor forma de nesse momento   
A pedido do proprietário do terreno, ontem à tarde uma lona foi colocada sobre parte do talude e também houve a realização de uma concretagem para desviar o fluxo das águas das chuvas a fim de tentar evitar novos deslizamentos. Em nota, a prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o município só irá se posicionar após o recebimento do laudo feito pelo geólogo que fez uma avaliação sobre a área na última terça-feira (08).



 

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