16/12/2020 às 08h54min - Atualizada em 16/12/2020 às 08h54min

INFLAÇÃO PARA FAMÍLIAS COM RENDA BAIXA DE NOVEMBRO É A MAIOR DOS ÚLTIMOS MESES

Matheus Aguiar
Fechar as contas, no fim do mês, tem sido difícil para muita gente, já que a inflação pegou todos de surpresa neste fim de ano. Porém, pode ter de adotar mais restrições, pois analistas dizem que a alta de preços não vai arrefecer no início de 2021. Pelo contrário. A expectativa é de que os alimentos continuem pressionados e a inflação se espalhe por outros itens da cesta de consumo, uma vez que diversos reajustes foram empurrados para o próximo ano por conta da pandemia. Em um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a inflação de novembro foi a pior dos últimos meses para as famílias de renda baixa. O grupo “alimentos e bebidas” foi responsável, sozinho, por 75% da inflação da classe de renda muito baixa, reflexo do aumento nos seguintes itens: arroz (6,3%), batata (29,7%), frango (5,2%), óleo de soja (9,2%) e carnes (6,5%).

Na lista de produtos que devem se somar à cesta básica e pressionar o orçamento dos brasileiros em 2021, estão o plano de saúde, a energia elétrica, a passagem de ônibus e a mensalidade escolar — serviços administrados que costumam ser reajustados anualmente, mas que não mudaram de preço por conta da pandemia e podem subir duas vezes no próximo ano. A pesquisadora do IPEA alerta que no ano que vem quase ninguém vai conseguir escapar da inflação.

No acumulado em 12 meses, ou seja, de dezembro de 2019 a novembro de 2020, houve aumento na inflação de todos os segmentos. Na comparação com novembro de 2019, observa-se que enquanto a taxa de inflação da renda muito baixa aumentou 85%, o aumento na taxa do grupo de renda alta foi menos acentuado (48%). A tendência para o ano que vem é de que essa desigualdade continua acentuada, como reflexo da crise provocada pela pandemia.

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