19/01/2021 às 08h40min - Atualizada em 19/01/2021 às 08h40min

Fim de semana é marcado por manifesto contra a Copasa em Caratinga

Fabio Teodoro
A Praça da Estação, em Caratinga, que já sediou vários eventos, desta vez, se tornou palco de uma luta da população caratinguense na tarde do último sábado (16/01). A praça foi o local escolhido para a concentração da manifestação popular contra a Copasa. O objetivo do manifesto em forma de carreata foi expressar a insatisfação com o reajuste da tarifa de esgoto.

O movimento contrário a esse reajuste tarifário começou após a professora Conceição Burgarelli postar em uma rede social uma conta de água da casa dela. A fatura mostra que o valor da tarifa de esgoto cobrada é o mesmo da água consumida.

"Eu postei porque, até sinalize lá, observando assim, a rede de esgoto tendo o mesmo valor da conta de água. Quer dizer, se uma instituição gasta R$ 5 mil de água, ela vai pagar R$ 5 mil de rede de esgoto. Então, está 100%, o mesmo valor. Agora, a gente não tem a pretensão de parar. Se caso a Copasa não responder, vamos procurar outros meios para que ela reveja esse abuso", disse.

"Não à cobrança de 100% de esgoto"; "em Caratinga o esgoto vale ouro"; e "em plena pandemia a Copasa vem com esse presente de grego para nós!", foram alguns dos dizeres dos cartazes colados nos veículos dos manifestantes. Acompanhados de um carro de som, os manifestantes percorreram por várias ruas da cidade. O policial penal Carlos Teixeira de Siqueira classificou como irresponsável esse aumento da Copasa e reforçou a importância de a população unir forças e se juntar a este movimento.
"População caratinguense não vamos deixar essa empresa que presta um desserviço para a cidade impor esse aumento absurdo. Vamos à luta, manifestar, procurar nossos representantes, unir forças para conseguirmos conquistar nossos direitos", afirmou. 

Conceição espera que a população possa despertar o olhar para esse valor da tarifa de esgoto que, segundo ela, está muito abusivo. O movimento também defende que devido à crise provocada pela pandemia da Covid-19, muitos não têm condições de pagar essa tarifa.

"A taxa está muito abusiva. A Copasa tem prestado um péssimo serviço para a população. E, assim, a gente fica, muitas vezes, até revoltada, de ver as contas chegarem e o abuso que a Copasa está fazendo. Têm pessoas que não têm condições e a gente sabe que essas redes de esgoto, se você for olhar aí nos córregos de Caratinga, estão jorrando nos nossos rios, então, assim, não tem 100% de tratamento da Copasa. Outra coisa que deixa a gente indignada com o trabalho da Copasa é que não tem nenhum reservatório, quando chega o tempo de estiagem e de seca. A população passa muita dificuldade porque ela tem que economizar água". 

O protesto terminou com a colagem dos cartazes na porta da agência de atendimento da Copasa. Nesta última semana, em coletiva de imprensa, o gerente regional da Copasa, Ricardo Orsini, disse que com a conclusão de mais uma etapa do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES), Caratinga tem hoje quase 100% de esgoto tratado. Segundo ele, atualmente, são cobrados dois tipos de tarifa. Para os imóveis que têm o esgoto coletado, é cobrado 25% do valor da taxa de água. Já para os domicílios com esgoto coletado e tratado, é cobrado 100% do valor da água consumida. Explicou que, a partir de março, a taxa de 100% será cobrada apenas dos imóveis que terão o esgoto coletado e tratado, ou seja, dos consumidores que hoje pagam 25% e passarão a pagar 100%. Moradores de seis bairros de Caratinga serão atingidos pelo reajuste tarifário: parte dos bairros Salatiel e Esplanada e o Centro, e inteiramente os bairros Santa Zita, Limoeiro e Floresta. Ainda conforme o gerente regional, a cobrança da tarifa é constitucional e é definida pela Arsae, agência reguladora estadual, não só para Caratinga, mas para todas as cidades operadas pela Copasa.



 

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