27/03/2019 às 01h49min - Atualizada em 02/04/2019 às 01h49min

Petrobrás prevê greve de caminhoneiros e muda política de preços do diesel

A partir de agora, o combustível só poderá ser reajustado no máximo duas vezes por mês 

Matheus Aguiar

A estatal anunciou na última terça-feira (26) a mudança na periodicidade para reajustes do óleo diesel. O preço do combustível não poderá ser reajustado em períodos inferiores a 15 dias,

Até então, o valor do litro do diesel poderia variar até diariamente. Segundo a Petrobrás, os preços do diesel nas refinarias da companhia correspondem a cerca de 54% dos preços cobrados nas bombas dos postos de gasolina.

Além disso, foi anunciada a criação do “Cartão Caminhoneiro”, que permitirá a compra do combustível a preço fixo nos postos com a bandeira da "BR Distribuidora". A expectativa é de que o cartão passe a valer no mercado em 90 dias. A medida adotada em parceria das duas empresas será destinada aos profissionais autônomos e proprietários de frotas de caminhões.

A decisão foi aprovada em reunião com a diretoria executiva. Em nota, a Petrobras garante que “manterá a observância de preços de paridade internacional (PPI), abstendo-se, portanto, de práticas que poderiam caracterizar o exercício de poder de monopólio, já que possui 98% da capacidade de refino do Brasil”.

 

Ameaça de greve

No ano passado, a greve dos caminhoneiros que parou o país por 10 dias, começou exatamente pela alta nos preços do combustível.

A categoria parou no dia 21 de maio para exigir uma redução nos preços do óleo diesel - que haviam subido mais de 50% nos últimos 12 meses. A principal reivindicação era pelos impostos que incidem sobre o combustível, como o PIS-Cofins. O caminhoneiros também exigiam a fixação de uma tabela mínima para os valores de frete.

Ao longo da greve, discursos anticorrupção também se juntaram às bandeiras defendidas pelo movimento, que em poucos dias se tornou expressivo e provocou impactos à população, em diversos segmentos. Inclusive, o atual presidente Bolsonaro foi um dos adeptos da causa.

Vale ressaltar, que no período da greve (maio) de 2018 as ações da Petrobrás - que já não iam bem - despencaram ainda mais na bolsa. Porém, hoje, com o novo panorama econômico do país, a estatal vive um período de alto investimento desde o início do ano.
 

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Entre maio de 2018 e março deste ano, as ações da Petrobrás aumentaram em 64,7% na bolsa.(Fonte: B3)
 

Em 2019, com os caminhoneiros articulando nas redes sociais novas paralisações, a conduta da Petrobrás pode ser vista como uma medida de cautela frente à esse risco. A categoria ainda exige o cumprimento das medidas acordadas com o governo Michel Temer, como o congelamento do preço do diesel e o tabelamento do frete.

Desde o início deste ano, o preço do combustível que abastece a frota de carga do país teve aumento de 15,6% nas refinarias, onde passou de R$ 1,8545 em 1º de janeiro para R$ 2,1432 ontem.


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