02/03/2021 às 09h20min - Atualizada em 02/03/2021 às 09h20min

Cientistas criam tatuagem iluminada de OLED removível com água e sabão

Reinaldo Zaruvni
Tecmundo
Até então restrito a biohackers, ao uso de LEDs e a procedimentos cirúrgicos invasivos e, muitas vezes, dedicados somente à estética, um método prático, temporário e facilitado de se aplicar tatuagens iluminadas foi desenvolvido por cientistas da University College London (Reino Unido) e do Istituto Italiano di Tecnologia. Entre os objetivos dos pesquisadores está a construção de uma ferramenta médica capaz de emitir alertas diversos quando combinada a outras soluções vestíveis.
 
Em artigo publicado na revista Advanced Electronic Materials, os responsáveis pela novidade explicam que ela carrega a tecnologia de diodo orgânico emissor de luz presente em dispositivos como os iPhones mais recentes e telas dobráveis.
 
Além disso, devido à flexibilidade do maior órgão do corpo humano, no qual pretendem testar a criação em breve, e às dobras geradas por movimentos, o OLED se mostrou a melhor opção para seus objetivos.
 
Em suma, uma camada extremamente fina de um polímero eletroluminescente que brilha após receber uma carga, de apenas 2,3 micrômetros de espessura – cerca de um terço do diâmetro de um glóbulo vermelho, salientam os inventores –, "recheia" um par de eletrodos e fica sobre uma camada isolante.
 
O resultado, por sua vez, é colado a um papel de tatuagem temporário por meio de um processo de impressão "barato" e reproduzível em grande escala. No total, o equipamento possui 76 nanômetros de espessura.
 
"Este é apenas o primeiro passo. Os desafios futuros incluirão encapsularmos os OLEDs tanto quanto possível para os impedirmos de se degradarem rapidamente por meio do contato com o ar, bem como integrarmos o dispositivo a uma bateria ou supercapacitor", conta Franco Cacialli, autor sênior do artigo.
 
 
Um passo de cada vez

Ainda de acordo com a equipe, as novas tatuagens de OLED se valem do processo de transferência úmida de tatuagens temporárias projetadas para crianças – facilmente lavadas com água e sabão quando não mais necessárias ou desejadas.
 
As possibilidades, afirmam os criadores, são muitas. Ilustrações brilhantes e unhas emissoras de luz, por exemplo, não estão descartadas, mas, na área da saúde, os eletrônicos podem indicar até mudanças de condições do organismo, desidratação de atletas e otimizar terapias de luz na luta contra cânceres.
 
"A eletrônica de tatuagem é um campo de pesquisa em rápido crescimento. No Istituto Italiano di Tecnologia, já desenvolvemos eletrodos que tatuamos na pele das pessoas e usados na realização de testes de diagnósticos, como eletrocardiogramas", destaca Virgilio Mattoli.
 
Limitações, claro, existem por enquanto. O grupo emitiu apenas luz verde em um painel de vidro, em uma garrafa de plástico, em uma laranja e em uma embalagem de papel. Em pele humana ainda não.
 
Por fim, no futuro, espera-se a exibição de todas as cores do espectro RGB, assim como que a tecnologia dispense a necessidade de fonte externa de alimentação de componentes adicionais.

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