17/03/2021 às 10h47min - Atualizada em 17/03/2021 às 10h47min

Com hospitais lotados, municípios de Minas improvisam leitos

Socorro às famílias de pacientes em vários regiões do estado incluem transferências de curta a longa distância e apelo ao governo estadual

Estado de Minas
O drama jamais imaginado da falta de leitos hospitalares, diante do avanço da pandemia do coronavírus, é enfrentado em praticamente todas as regiões de Minas Gerais, e acende o alerta vermelho. Com a expansão diária de novos casos de contaminação e de mortes provocadas pela doença respiratória, a demanda por internações cresceu desenfreadamente desde o início de março, período considerado o mais grave de toda a ocorrência da COVID-19 no Brasil. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), há pelo menos 200 pessoas à espera de vaga em unidades de terapia intensiva (UTIs) em todo o estado.

O desespero é de pacientes e seus familiares, que nem sempre têm a resposta das autoridades de saúde, em meio ao caos enfrentado nos hospitais, com lotação máxima de internados. Quando faltam leitos, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) avalia critérios baseados em condições clínicas dos pacientes, e, claro, o nível de gravidade de cada caso, para buscar alternativa de internação numa lista de hospitais e municípios de referência. Uma preocupação é não pressionar aquelas regiões que já funcionam como polo de atendimento à saúde. Depois disso, é que são realizados os trâmites para a transferência.
 
Há situações em que no próprio hospital onde não existe leito de UTI disponível interna-se o paciente em enfermarias equipadas, caso ele não necessite de respiradores mecânicos, a exemplo do que fez Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, e Governador Valadares, no Leste do estado. Os hospitais também recorrem à rede SUS Fácil, do Sistema Único de Saúde, que redirecionam os pacientes para a unidade de saúde mais próxima, se possível em municípios vizinhos que dispuserem de vaga.
 
Com a crise imposta pelo avanço da COVID-19, há pacientes que estão sendo transferidos para hospitais de cidades distantes. Foi o que ocorreu com um paciente de Santa Bárbara, na Região Central de Minas, transferido para hospital de Diamantina, porta de entrada do Vale do Jequitinhonha. A distância entre os dois municípios é de 192 quilômetros.
 
Em Montes Claros, no Norte de Minas, os próprios corredores das unidades de saúde estão sendo usados para abrigar e tratar os paciente. “Internam-se pacientes nos corredores, sim. Havendo necessidade, infelizmente”, diz a secretária de Saúde da cidade, Dulce Pimenta. Divinópolis, no Centro-Oeste, tem os 25 leitos de UTI ocupados, incluindo a ala infantil. Entre os pacientes, também está uma pessoa de 18 anos. Na enfermaria, o cenário não é diferente, todas as 12 vagas disponíveis estão esgotadas. Minas Gerais registrou 980.687 diagnósticos de COVID-19 e o número de mortes alcançou 20.715.
 
O governo de Minas informa ter praticamente dobrado a quantidade de leitos, de 2 mil para mais de 4 mil no último ano, mas alega que a oferta não tem sido suficiente. Depois que as taxas de ocupação de leitos de UTI dedicados ao tratamento de pacientes com COVID-19 e de outras enfermidades passaram a ser divulgadas separadamente, os dados assustam.
 
Apenas a macrorregião do Jequitinhonha está num patamar avaliado como satisfatório, com 52% das alas de equipamentos hospitalares/COVID-19 e 67% daquelas destinadas a pacientes com  outras doenças estão sendo utilizadas. Várias cidades passaram a receber doentes transferidos de outras regiões, o que contribuiu para que algumas delas entrassem em colapso. A taxa média de ocupação de leitos em Minas é de 86,16%.
Nomeado pelo governador Romeu Zema (Novo) na segunda-feira, o secretário de Estado de saúde, Fábio Baccheretti, disse que o problema em Minas não passa pela aquisição de novas UTIs, e sim pela busca de novos profissionais. “Espaço para abertura de leitos temos, mas não temos o profissional. O papel da sociedade é fundamental para que a gente alivie esses números.”
 
Assistência
 
Em nota, a SES-MG informou que leva em consideração critérios clínicos e a gravidade do caso de cada paciente para a identificação do leito mais adequado no estado. Atualmente, o estado conta com uma relação dos hospitais e municípios de referência em todas as regiões para receber internados. “Após a análise dos dados mencionados, e sendo evidenciado que o recebimento de pacientes de outras macrorregiões não irá impactar na assistência do território, a regulação estadual realiza os trâmites para confirmação de leitos disponíveis e transferência dos pacientes.”
 
Nas duas maiores cidades do Leste de Minas, Governador Valadares e Ipatinga, sedes de macrorregiões de saúde, os leitos UTI/COVID-19 da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) chegaram ao limite de sua capacidade durante a última semana. Os pacientes que chegam aos hospitais em estado grave são direcionados a outros hospitais por meio da Rede SUS Fácil.
 
Alarmante
Desde o dia 2, os hospitais de Montes Claros atingiram lotação máxima de leitos clínicos e de UTIs para pacientes contaminados pela COVID-19. A prefeitura implantou dois hospitais de campanha e credenciou leitos clínicos e de UTI para pacientes com coronavirus em outros três hospitais – aumento de 102 leitos específicos para a doença.
 
Mas, segundo a secretária de Saúde, Dulce Pimenta, com o avanço da pandemia, persiste o problema da falta de vagas. “Internam-se pacientes nos corredores, sim. Havendo necessidade, infelizmente. É melhor do que mandá-lo para casa.”
 
Enquanto o Hospital Regional José Alencar, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, aguarda a habilitação de quase 30 novos leitos para pacientes infectados pelo novo coronavírus, pela primeira vez a taxa de ocupação dos leitos UTI/COVID da rede pública do município chegou aos 100%.
 
Pertencentes à microrregião de Itabira, Barão de Cocais e Santa Bárbara se encontram saturadas e já estão dependendo de vagas em cidades mais distantes para atendimento dos pacientes graves. Na sexta-feira, um paciente de Santa Bárbara que precisava de vaga em UTI conseguiu transferência para Diamantina. Em Barão de Cocais, a situação é a mesma. Com a saturação em Itabira, pacientes graves esperam vagas pela Central do Estado.

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