17/09/2021 às 15h59min - Atualizada em 17/09/2021 às 15h59min

APÓS ESPETÁCULO DE 72 HORAS, ATOR CONTA DETALHES DA EXPERIÊNCIA DE ISOLAMENTO EM MEIO A MULTIDÃO

Passados alguns dias desde o fim do confinamento de 72 horas, o ator nos cedeu um momento para contar sobre essa vivência inédita na praça central de Caratinga. Thales Henrie fez do espetáculo um aprendizado, e como o mesmo conta, não só pra ele, mas também para a cidade. Outra vez Clarisse Lispector escreveu: “Só o que está morto não muda!”. No ano da morte da escritora (e também de Charles Chaplin), Aldir Blanc e João Bosco começavam a falar de esperança, essa equilibrista que “Sabe que o show de todo artista, tem que continuar.” Mais ou menos por aí, entre a mudança e a continuidade, é que mora a arte. Nessa zona cinzenta, que também abraça o contraditório e as incompreensões. Ao se expor por três dias, numa cúpula de vidro, o ator se propôs a enfrentar os julgamentos e, porque não, também conversar com eles.  

A peça, escrita em 2017, se baseava na história de um homem que se via num período de isolamento. Adaptado para esse ano, quando o mesmo dilema se aproximou de toda a população, "Ermo" ganhou uma dinâmica mais espontânea para ser apresentada no coreto. Thales contou que, naquele lugar, muitas vezes a angústia do personagem lhe afligiam na própria pele. 

Nossa equipe foi até o Coreto no segundo dia e conversou com algumas pessoas que estavam no local. Entre essas pessoas estava a mãe do ator. Coramar tinha o sonho de ser artista e hoje se vê realizada pela escolha do filho. Orgulhosa, ela mudou a rotina só pra poder apoiar o Thales todos os dias. 

Enquanto a população zelava pelo ator, ele se sentiu no papel de fazer o mesmo pela cidade. Durante três dias, Thales observou situações que muitos de nós sequer damos conta que acontece em Caratinga. Ou até sabemos, mas ignoramos. Um fato chamou mais a atenção dele.

O ator reconhece ainda que ele não é o primeiro a morar naquele espaço. Na verdade, o coreto de Caratinga, assim como a arte, serve para nos mostrar que a realidade nem sempre é bonita. 

Assim como o Thales, diversos outros artistas caratinguenses estão fazendo cinema, música, dança, literatura, pintura, fotografia, teatro. Trabalhos que podem nos ajudar a olhar com mais responsabilidade para as mazelas que fazem parte do nosso espaço.  


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