22/09/2021 às 16h45min - Atualizada em 22/09/2021 às 16h45min

Júri absolve acusado de ser o mandante do assassinato de taxista em Caratinga

Crime ocorreu no bairro Esperança, em março de 2009

Jônatas trabalhava como taxista e foi morto com um tiro em março de 2009 (Foto: Arquivo Pessoal)
O julgamento de José Bento Ferreira, de 59 anos, durou cerca de 13 horas no Fórum Desembargador Faria e Sousa. O assistente de acusação, o advogado Dário Júnior, concedeu coletiva à imprensa, na noite de ontem (21). Para ele, o resultado foi muito frustrante, sobretudo, para a família porque todos esperavam a condenação do acusado. 

“Depois de mais de dez horas de trabalho, nós tivemos um resultado muito frustrante pra família porque todos esperávamos a condenação do acusado. Lamentavelmente, acreditamos que houve um erro por parte do Conselho de Sentença da Comarca de Caratinga porque eles reconheceram a materialidade do crime, a autoria do crime por parte do acusado José Bento e entenderam que ele foi o mandante do assassinato. Porém, no quesito genérico de absolvição, por 4 votos a 3, entenderam por absolver o acusado.”, explicou Dário Júnior. 




Ainda segundo ele, esta foi uma decisão contraditória. Por esse motivo, a assistência de acusação, em conjunto com o Ministério Público, já interpôs o recurso de apelação e vai tentar a cassação da sentença para a realização de um novo júri. Dário disse que já houve outro julgamento do caso com um dos acusados condenado. A autoria foi reconhecida pelo Conselho de Sentença.

Como o recurso de apelação já foi interposto na ata dos trabalhos, agora, caberá ao Ministério Público apresentar razões de recursos dentro de oito dias. Depois, a assistência de acusação e, posteriormente, a defesa, apresentar contrarrazões de recurso. Em relação à cassação do veredito do Conselho de Sentença de Caratinga, ela será decidida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, com a possibilidade de um novo júri.

“O Tribunal de Justiça não pode condenar uma pessoa que o júri absolveu, mas pode cassar o veredito para que um outro júri ocorra.”, sintetiza Dário.

O advgado Dário Júnior é o assistente de acusação (Foto: Miguel Bráz/ TV SISTEC)

O CRIME

O taxista Jônatas tinha 43 anos quando foi assassinado. Ele foi morto a tiro dentro do seu táxi, um veículo Fiat Siena, na rua Eliane Tiola, no bairro Esperança, em Caratinga, em março de 2009. Segundo as investigações, o motivo da morte do taxista seria uma dívida feita por ele para levá-lo para os Estados Unidos. 

Contudo, conforme o advogado, Jônatas afirmava que já havia quitado essa dívida com o denunciado. O réu foi denunciado, pelo Ministério Público, por homicídio com duas qualificadoras: motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. 

FAMÍLIA PEDIA JUSTIÇA

Na parte da manhã, familiares da vítima se concentraram do lado de fora do Fórum com cartazes pedindo Justiça. Uma das faixas dizia: “Uma mãe de 93 anos aguarda por Justiça”. Os familiares de Jônatas permaneceram no local até o fim do julgamento. Rosimar Ferreira é sobrinha da vítima. Ela disse que há doze anos esperava por Justiça e que este período foi de muito sofrimento para a família. 

Familiares se concentraram do lado de fora do prédio do Fórum (Foto: Miguel Bráz/ TV SISTEC)

“Nós vivemos 12 anos de espera, 12 anos difíceis e de muito sofrimento para a família, principalmente para os pais e os filhos, que hoje são adolescentes e que na época eram órfãos de mãe. O que nós esperamos é que haja Justiça. Jônatas era uma pessoa maravilhosa. Era um tio, amigo, irmão amado e um pai maravilhoso para seus filhos. Uma pessoa que deixou uma lacuna muito grande na nossa vida. Ele era amigo de todos e sentimos muito a sua falta.”, expressou Rosimar.


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