22/10/2021 às 09h15min - Atualizada em 22/10/2021 às 09h15min

ARTESÃO HERDA SELARIA DO PAI E CONSERVA O ÚLTIMO ESTABELECIMENTO EM CARATINGA

A “Selaria Santo Antônio” foi aberta no início da década de 1960 pelo pai de Carlos Teixeira, quando tinha apenas 18 anos. O fundador foi aprendiz de um dos primeiros seleiros de Caratinga (Nelson Badaró) sendo, portanto, um dos mais tradicionais da cidade. Infelizmente, o fundador do estabelecimento morreu neste ano, deixando um imenso legado para a história da cidade. A oficina, onde foi dedicada toda a vida do pai, passou a ser ocupada pelo filho. Aos 53 anos, Carlos conta que aprendeu o ofício ainda muito cedo, por influência do senhor José Antônio.  

A produção de selas era a especialidade do pai de Carlos, uma aptidão que ele não herdou. Mas, pelo tempo ao lado do mestre, aprendeu bem a fazer qualquer tipo de conserto na peça. O forte do seleiro é mesmo a feitura de acessórios para charretes e carroças: como arreios, cascos estofados, cias, peitorais e repadeiras. Apetrechos que servem para guiar o animal.

O antolho, por exemplo, é um equipamento indispensável. De acordo com o seleiro, antes de montar, é preciso tampar a visão lateral do cavalo para que ele não se assuste com a própria carroça. Toda a produção é artesanal e feita a partir da sola couro de boi. Carlos conta que os clientes da zona rural, principalmente os mais velhos, continuam frequentando a selaria.

Atualmente, a “Selaria Santo Antônio” é a única que permanece em funcionamento na cidade de Caratinga. Os moldes de fabricação continuam no mesmo lugar. Já as ferramentas e as máquinas de costura guardam histórias de um tempo em que as peças fabricadas eram vendidas com mais frequência. Época em que os carros eram poucos e ainda disputavam espaço com as carroças.

No entanto, a modernização foi tornando impossível o uso desse meio de transporte antigo. Além da urbanização da cidade, chegaram regras de trânsito, sem falar no próprio asfalto que não é ideal para o animal.

Como alternativa, Carlos também produz outros acessórios a partir da sola, como bainhas para facas. Além disso, ele trabalha com estofamentos, aproveitando o mesmo maquinário. O seleiro é uma pessoa de poucas palavras, mas de forma singela, expressa o orgulho em manter a tradição do pai. 


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